Cap. 63 (pov. May)
(Escute a
musica: http://www.youtube.com/watch?v=5anLPw0Efmo
)
A casa era
puro silêncio, chovia lá fora, Jay estava deitado de costas para mim, minha
cabeça viajava e não parava, meus pensamentos eram diversos, eu não queria ir,
mas eu deveria ir, olho para meu celular, o horário é de 6:30 da manhã. Me
desloco para fora da cama, devagar, com cuidado para não acordar meu Bird,
alcanço uma manta e me enrolo nela, abro a porta lentamente e desço as escadas.
O barulho da chuva é relaxante, quero ver de perto o pequeno temporal que se
instalou em Londres, abro a porta da frente, minha bochecha congela com o vento
gélido que me atinge, ainda está escuro, parecer ser madrugada, mas as pessoas
já estão saindo de suas casas, me sento no balanço me encolhendo, a manta me
protege bem do frio, mas não tanto quanto eu queria. Suspiro pesadamente ao me lembrar
de que estarei partindo em poucos dias, isso é tão confuso, lembro que quando
decidi vir para Londres, era somente para conhecer a cidade dos meus sonhos e
tentar me fixar aqui, para que quando eu acabasse minha faculdade, eu voltaria
para cá e moraria aqui. Os planos ainda seguem o mesmo, mas agora eu não estou
deixando somente Londres, eu estou deixando Jay, o amor da minha vida. Algumas
tabuas do assoalho rangem e quando me volto para a porta Any e Helo me observam
quieta, ambas estão com mantas se cobrindo, faço menção para que elas se sentem
ao meu lado e assim elas fazem, Any se senta ao meu lado e Helo ao lado e Any.
Eu sorrio sem animo para elas.
_Eu amo a
chuva. – Helo fala sem humor na voz, é apenas uma confissão pura.
_Eu também. –
Any completa.
_Me lembro
de que somente eu tenho insônia de nós três. O que estão fazendo acordadas? –
falo com surpresa, pois somente eu não consigo dormir bem de nós três.
_Os tempos
mudaram May. – Any brinca.
_Mesmo com
toda minha agitação com Nathan ontem, eu mal preguei os olhos. – Helo diz
sorrindo, graças a Deus eu não ouvi nada, pelo menos eu dormi um pouco de
noite.
_E como
vocês se agitaram! – Any reclamou e eu gargalhei. _Você tem que aprender a se
controlar um pouco Helo, eu e Max ouvimos tudo. – Helo corou violentamente.
_Desculpa. –
Heloisa sussurrou. _Estávamos empolgados... Mas você e o Max também, quase
quebraram a casa. – não me aguentei e cai na gargalhada.
_Foi
interessante as coisas ontem, não dava pra controlar. – Any confessou vermelha
e eu não parava de rir, as duas olharam feio pra mim.
_Desculpa. –
meu sorriso murchou, mas eu estava segurando para não rir de novo.
_Podemos
parar de falar sobre isso? – Helo sugeriu.
_Eu também
gostaria que parasse. – Any falou baixou, o barulho da chuva me acalmou como é
bom sentir aquele aroma de terra molhada, o frio de Londres mesmo rigoroso é
uma delicia.
_Escutem. –
eu falo e aponto para a chuva. _Isso não relaxa vocês? – elas concordam com a
cabeça. _Não faz vocês pararem de pensar sobre tudo? – mais uma vez elas
concordam. _Isso me traz paz. – eu confesso.
_Me traz
alegria. – Helo confessa sorrindo, um sorriso que ela não demonstrava há
tempos.
_Me traz
calmaria. – Any confessa também e eu vejo uma lagrima descer por seu rosto, a
enxugo com meus dedos. _A chuva me faz pensar que tudo isso ainda vai ter algo
bom no fim, eu tenho esperança que podemos seguir com isso, mesmo no Brasil. –
ela suspira. _Que podemos ser feliz com os meninos, mesmo tão longe, a chuva
deixa as coisas claras, mesmo que nubladas, a chuva mostra um lado bonito da
tempestade.
_Isso foi
profundo. – Helo murmura.
_Realmente, foi
bem profundo e são apenas seis e pouco da manhã. – falo olhando para Any que
enxuga algumas lagrimas.
_Eu só falei
o que sentia. – Any puxou um pouco de folego. _O que vocês sentem agora? – ela perguntou
atenta.
_Medo... –
Helo sussurrou. _De perder Nathan, de perder Londres, de perder tudo, eu amo
estar aqui, viver com ele... Mas meu pior medo é perder meu futuro. – ela confessa.
_Não posso largar minha faculdade, eu preciso terminar o que eu lutei tanto
para ter.
_E você May?
– Any me pergunta e eu suspiro.
_Já sinto
saudade. – falo com a voz embargada por lagrimas não derramadas. _Mas eu sei
que é o certo eu ir para o Brasil e terminar minha faculdade, mas eu vou sentir
falta de tudo. – digo e sinto um peso saindo de minhas costas.
_Vai dar
tudo certo. – Helo fala e nós três nos abraçamos.
_Vamos para
dentro, vou preparar um café para nós. Mais tarde eu preparo o dos meninos. –
falo me levantando e as duas me seguem para dentro.
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