Cap.
57 (pov. May)
À volta para a casa foi totalmente diferente, Jay tinha a
expressão de puro sofrimento, eu permanecia calada e quase não me movia, o
silencio se instalou sobre o carro e parecia que não iria embora tão cedo,
minha vontade era de tocar meu Bird e lhe dar um beijo repleto de paixão, mas
sua surpresa acabou me ferindo e ferindo muito a ele também.
_Não faça isso. – supliquei em um sussurro.
_Fazer o que? – ele murmurou com voz chorosa.
_Me ferir mais do que já estou ferida. – disse com a voz
embargada pelo choro compulsivo.
_Eu também estou ferido May. – Jay falou frio e quando
olhei para seu rosto, as lagrimas corriam livres por sua barba mal feita.
_Não é só você que vai ficar sem a pessoa que ama! –
gritei me surpreendendo e surpreendendo ele, que freio bruscamente e parou no
acostamento.
_Eu sei! – ele gritou. _Você está ferida, eu estou
ferido! – sua voz permanecia elevada. _Mas é você quem está indo embora! – suas
palavras me cortaram ao meio e as lagrimas eram tão compulsivas para mim que eu
mal conseguia falar, Jay secava as lagrimas dele com certa raiva, mas elas não
sessavam.
_E você acha que isso não me machuca? – gritei com ele
novamente. _Eu quero ficar! – respirei fundo. _Eu quero tanto ficar. – minha
voz saiu como um apelo sussurrado.
_Então fique. – Jay respirou fundo e tomou meu rosto em
suas mãos. _Fique aqui, por mim, não posso te ver partir de novo. – sua
expressão era sofrida, ele sabia que eu não poderia ficar. _Não depois de
tudo... Depois de eu quase te perder pra sempre. – Jay colou nossas testas e
seus olhos me encaravam suplicantes.
_Eu... – me separei dele. _Não posso Jay. – o encarei,
meu maior arrependimento, eu via nele toda a dor que eu guardava para mim, eu
chorava em sua frente, mas ele jamais veria minha real dor, eu não deixaria.
_Tenho meu futuro, você sabe que eu vou voltar. – tentei tranquilizar ele.
_Espero que volte mesmo. – ele tentou ser brincalhão, lhe
dei um sorriso torto. _Só... Eu tenho medo que você me esqueça, que nunca mais
volte. – Jay me parecia tão verdadeiro em suas palavras, mal ele sabia que
aquele também era meu medo.
_Não diga uma coisa dessas. – o repreendi. _Jamais vou te
esquecer, voltarei o mais breve o possível, não dará tempo de você senti minha
falta. Eu prometo. – falei secando minhas lagrimas e o encarando.
_E eu prometo jamais te esquecer Maria, vou te esperar o
tempo que precisar, e quando você voltar eu estarei aqui, te esperando, para te
amar... Para sempre. – suas ultimas palavras foram sussurradas.
_Jay, eu prometo pensar em você todos os dias, e quando
eu voltar, vou ser recebida por você, para ser amada e te amar, para sempre. –
disse com um tom de voz firme e alegre, parecia até que estávamos fazendo um
pacto, para a eternidade.
_Eu te amo. – Jay falou e me beijou calorosamente.
_Eu te amo. – falei em meio ao beijo, que mais parecia
que era a nossa única salvação, as coisas foram ficando mais quente, então eu
interrompi o beijo, Jay resmungou em desaprovação. _Calma... Vamos fazer isso
em casa. Mas antes preciso que me leve no hospital, tenho alguns exames que
preciso pegar.
_Tudo bem, eu espero mais um pouco, tenho uma surpresa
para você em casa, acho que você vai amar e rir muito. – ele disse dando
partida no carro e seguindo pela estrada. _Não é melhor pegar o exame amanhã de
manhã?
_Eu aguardo curiosamente essa surpresa. – disse sorrindo
para ele. _Preciso ver esse resultado hoje, não vou conseguir dormir sem ver
esse exame. – eu quero saber se estou gravida, mas não vou compartilhar isso
com você.
_Vamos passar no hospital então. – Jay falou e assim
seguimos rumo ao hospital.
Na porta do hospital Jay estacionou e ficou me esperando
dentro do carro, eu queria ver primeiro o exame, caso o resultado fosse mesmo à
gravidez, me dirigi até a secretaria, uma enfermeira que cuidou do meu caso me
acompanhou até o setor onde a enfermeira que recolheu meu sangue me esperava com
o resultado nas mãos, ela sorriu para mim e me entregou o envelope, meu coração
batia rapido e minhas mãos tremiam, abri o envelope rapidamente e procurei o
resultado nas pequenas letras, quando o encontrei meu sorriso se alargou e a
felicidade explodiu dentro de mim, dizia “Negativo
para gravidez” eu soltei um gritinho histérico, mas ao mesmo tempo me
sentia melancólica, um filho com Jay seria um sonho, mas não nesse exato
momento da minha vida. A enfermeira me acompanhou até outro setor e lá me deu
outra vacina para prevenir a gravidez. Fui para fora do hospital e Jay ainda me
esperava dentro do carro, entrei no mesmo, ele me olhou desconfiado e seu olhar
caiu para o papel em minhas mãos, droga, eu deveria ter jogado fora.
_Que exame é esse May? – ele me perguntou em um tom de
curiosidade.
_Nada demais, vamos para a casa? – tentei desconversar e
amassei o papel.
_Se não é nada demais... Me fala. – Jay pediu e permaneceu
com o carro parado.
_Eu realmente quero ir para a casa. – falei fazendo
beicinho amassando mais o papel em sinal de nervosismo.
_Diz logo May, nós veríamos aqui por nada, que exame é
esse? – ele falou com certo tom de impaciência.
_Tudo bem. –
suspirei. _Eu achei que estava gravida, então fiz um teste de sangue e nele deu
negativo para gravidez, ponto final, agora eu gostaria realmente de ir para
casa. – disse de uma só vez.
_Nossa... Você não está gravida mesmo? – Jay perguntou,
ele parecia desapontado.
_Não Jay, eu não estou gravida. Você gostaria que eu
estivesse? – perguntei pasma.
_Sim, por que não? Seria demais ter um filho, ainda mais
com você. – ele falou com a maior naturalidade e deu partida no carro saindo do
hospital.
_Eu também quero ter filhos com você, mas não agora,
seria uma irresponsabilidade. – falei um pouco brava com ele.
_Não fique brava, eu só curti a ideia de ter um filho. –
Jay tentou me tranquilizar.
_Vou esquecer isso, eu já tomei outra dose da vacina, não
vou engravidar. – falei sorrindo para ele, assim seguimos para a sua casa, onde
minha surpresa me aguardava.
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